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E o estudo, como anda?

 Estudo

 

Não sei vocês, mas volta e meia, quando o assunto é estudo, eu me embanano um pouco. Realidade nua e crua: sou um tanto quanto desorganizada. Chega a semana de prova e o desespero é total, principalmente quando elas vem coladinhas, uma depois da outra. A questão não tem só a ver com estudo, acho que quando a gente tem um roteirinho na cabeça do que deve ser feito em cada dia, as coisas ficam mais simples, basta ir seguindo coisa por coisa – algo que eu simplesmente não consegui, até hoje, fazer funcionar na minha rotina. Muitas vezes quando me dou conta da hora, já tá tardão e um monte de coisas da “lista” ficou pro dia seguinte e de vez em quando são coisas que nem “poderiam” ficar pro dia seguinte!

Queria ser do tipo que chega da aula e já parte pro resumo ou pro livro, pra complementar o que foi dado. Mas é difícil pra mim – se não for uma matéria de que gosto muito, é simplesmente penoso demais já chegar em casa e reviver o assunto que acabou de ser dado! É como ver o mesmo filme duas vezes seguidas. Admiro também quem organiza o estudo na ideia de matéria/dia: toda segunda estuda sempre a matéria A, terça vai ser sempre a B e assim por diante. Tô aproveitando a semana de prova pro desabafo e pra pedir conselhos: quem por aí se organiza bem? E quais de vocês sofrem comigo? O que fazem ou fizeram pra mudar os hábitos nocivos? Um beijo procês, deixa eu ir ali dar uma lida no assunto, tenho prova amanhã cedinho…

Dias Cinzentos

Flores-Cinzentas

 

Sempre me questiono sobre como devo lidar com os dias cinzentos. Dias cinzentos pra mim são aqueles em que tudo perde o sentido de ser. Não há alegria em nenhuma atividade, nada é bom ou interessante o bastante e nada se completa. Não sinto muita vontade de cuidar de mim, nem de seguir com a programação normal da rotina. As pequenas satisfações do dia a dia simplesmente desaparecem. O dia cinzento é nublado dentro de mim, nada tem a ver com o tempo lá fora – por vezes ele pinta até mesmo num dia de feriado ensolarado ou no fim de semana cheinho de atividades divertidas. Pra ser sincera, eles conseguem ainda ser mais cinzentos num dia de folga… as horas se arrastam bem mais e o tempo livre deixa de ser sinônimo de prazer, se torna castigo. Em um dia cinzendo me sinto simplesmente desconectada de tudo. Alguém aí sabe como é? Como se não pertencesse ao mundo e como se meu próprio universo interno não fizesse sentido algum. Coisa difícil de lidar. É aquela temida sensação de que nada vai dar certo na vida e quando penso além, com o cérebro e o coração também cinzentos, sinto que mesmo que algo venha a dar certo eu não me importaria muito, não faria diferença. São momentos sombrios; tristes de doer. E sei que a Andrea de verdade não é protagonista deles, somente uma sombra pálida está presente. É difícil até de traduzir em palavras, é algo que precisa ser vivido pra fazer algum sentido, e eu espero de verdade, bem do fundo da alma, que ninguém precise viver de fato nem um minuto sequer em um dia cinzento.

Como disse, penso muito sobre os tais dos dias. Quando um deles chega, sem aviso prévio, a vontade é de deitar e fechar os olhos, dormir até que um dia melhor apareça. Engano grave. Percebi, experiente que sou nos meus cinquenta tons de cinza, que fechar os olhos para eles é o mesmo que tratar de uma dor forte e constante com analgésicos… ora, a dor some sim, mas a fonte do problema ainda está lá, mais viva do que nunca. Pronta para, na menor das brechas, consumir tudo novamente. Como lidar? É uma boa pergunta. É uma pergunta importante. A solução pode até soar meio louca ou até mesmo idiota mas é o que funciona pra mim. Quando um dia cinzento aparece, eu dou o máximo de mim para pintá-lo de branco. Tem que ser branco. Sei por experiência própria que tentar adicionar qualquer outra cor, por mais linda que seja, em um tom de cinza tão potente, não vai funcionar: o cinza continuará cinza; é como misturar qualquer cor com preto. Quando consigo pintar toda a minha tela de paz, digo, de branco, ela está prontinha para que eu então apareça com as cores que eu quiser. O problema outro! é que o branco da  minha paz parece estar sempre em falta num dia cinzento. É preciso extrair sua pureza de algum lugar. Consigo as vezes com livros positivos, com música, com orações. Insisto. Por vezes também consigo vendo um filme bonito ou passando tempo com alguém querido. Mas o único momento, com certeza, do qual sei que transborda branco mesmo, é quando dedico algum tempo para conversar comigo mesma. É difícil começar, confesso nem sempre me dar uma chance. Paro, me acalmo, me acalento, me acarinho. Lembro a mim mesma de tudo que há de bom nesta vida, de todas as pessoas e presentes maravilhosos. Me permito pensar nos sucessos e momentos bons do passado e tento projetar cópias deles pro futuro. Recordo do plano perpétuo de me tornar alguém melhor, no que isso pode significar para a vida dos que amo. Me faço alguns elogios suaves e muito sinceros. É como se dissesse a mim mesma: calma, meu bem, o mundo colorido ainda existe, só estamos usando as lentes erradas.

Duas Amigas da Onça

Dont-Answer

 

Hoje o post é um desabafo. Tenho duas colegas, amigas de infância, que sempre conseguem me fazer comer. Elas nem sempre me visitam juntas, mas quando chegam aqui em casa a história se repete. Conversa vai, conversa vem, quando dou por mim estamos na cozinha comendo o mundo. Daí, depois de um tempo, vão embora me deixando fula da vida comigo mesma e me sentindo muito, muito pra baixo. Triste de se ver.

Por que deixo que elas venham aqui em casa? Ora, são vizinhas, moram tão pertinho que nem se dão ao trabalho de ligar marcando visita. Simplesmente chegam e já vão abrindo a porta… intimidade é fogo. Ano passado, me lembro, em um dos meus dias de dieta braba, eu desci e tranquei as portas. Pronto. Vou fingir que não tô em casa. Coloquei o celular no silencioso e fui estudar. Minutos depois toca o telefone de casa e eu sozinha, não deu outra. “Ah, Dea! Que bom que cê tá em casa, desce pra abrir que eu tô na porta”. Telefone de casa a gente tem que atender, né, pode ser algo de urgência. Naquele dia eu fui dormir pensando “Pelo menos eu tentei”.

Sabe a pior parte da história? Nenhuma das duas filhas da mãe é gorda. Nunca tiveram um kg sequer a mais, ambas vestem 38, mas comem que nem mortas vivas. As vezes tenho vontade de perguntar se não tem comida em casa não, mas a educação sempre fala mais alto. É sempre o mesmo mimimi: começamos a conversar e eu vou contando as coisas, os dramas da vida, daí me pedem um copo d’água e lá vamos nós pra cozinha. As vezes a cara de pau é tanta que me perguntam o que teve pro almoço… se eu fico indignada? Indignação não descreve.

De uns meses pra cá vim pensando em me afastar. Como sou coração de manteiga, demoro pra tomar uma decisão difícil tipo essa, mas não tava vendo outro jeito. Pensei em instalar trancas poderosas e alarmes no portão da garagem, mas resolvi que isso era surto. Além de que viver se escondendo não é viver. Resolvi então que ia parar de responder Whatsapp e ignorar as ligações. Compromisso: só vou dar bola quando não estiver em casa, porque aí posso encher a boca e responder sem mentir “Oh amiga, tô na rua, nem sei que horas chego!”. Vem dando certo pra caramba. Eu sei que soa meio cruel tratar duas amigas assim, mas que outra solução? Conversei com meu terapêuta e ele me confirmou o que já sabia: são relacionamentos super nocivos. Afinal quem quer precisa de “amigos” que trazem a tona nosso pior, nesse caso, a minha gula e descontrole? Já me indicaram ser curta e grossa mesmo, dizer na lata que elas são duas FDP. Não faz meu gênero. Só que depois da técnica do Whatsapp endureci um pouco e agora tranco a porta mesmo. Se dão a sorte de serem atendidas por mim eu digo que tô ocupada pra porra e que tô sem tempo de conversar.

Resolvi que não vou mais receber na minha sala de estar pessoas que pouco se importam com meu bem estar, só fingem. Pô, sabem que eu tô de dieta mas vivem perguntando o que tem pro lanche? Eu, que sempre tive problemas de autoestima, passei a vida toda tentando agradar a gregos e troianos, sem nunca ter tido a força suficiente pra dizer “Já jantei. Hoje só tem água ou coca zero, vai querer? Se quiser fica aqui que eu trago da cozinha”. Já me contaram que com outros amigos elas chamam pra beber, mesmo que no dia seguinte seja dia de semana e que não se deva. Ou enchem tanto o saco que não deixam ninguém estudar ou trabalhar direito. Me digam, tô certa ou tô errada de querer essas duas fora da minha vida? Bom, não importa o que ninguém diga, na verdade, a decisão tá tomada.

E se pensam que escrevi tudo isso no ímpeto ou na covardia, sem querer apontar dedos, se enganam. Queridas culpa e ansiedade, nossa amizade acabou.