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Dias Cinzentos

Flores-Cinzentas

 

Sempre me questiono sobre como devo lidar com os dias cinzentos. Dias cinzentos pra mim são aqueles em que tudo perde o sentido de ser. Não há alegria em nenhuma atividade, nada é bom ou interessante o bastante e nada se completa. Não sinto muita vontade de cuidar de mim, nem de seguir com a programação normal da rotina. As pequenas satisfações do dia a dia simplesmente desaparecem. O dia cinzento é nublado dentro de mim, nada tem a ver com o tempo lá fora – por vezes ele pinta até mesmo num dia de feriado ensolarado ou no fim de semana cheinho de atividades divertidas. Pra ser sincera, eles conseguem ainda ser mais cinzentos num dia de folga… as horas se arrastam bem mais e o tempo livre deixa de ser sinônimo de prazer, se torna castigo. Em um dia cinzendo me sinto simplesmente desconectada de tudo. Alguém aí sabe como é? Como se não pertencesse ao mundo e como se meu próprio universo interno não fizesse sentido algum. Coisa difícil de lidar. É aquela temida sensação de que nada vai dar certo na vida e quando penso além, com o cérebro e o coração também cinzentos, sinto que mesmo que algo venha a dar certo eu não me importaria muito, não faria diferença. São momentos sombrios; tristes de doer. E sei que a Andrea de verdade não é protagonista deles, somente uma sombra pálida está presente. É difícil até de traduzir em palavras, é algo que precisa ser vivido pra fazer algum sentido, e eu espero de verdade, bem do fundo da alma, que ninguém precise viver de fato nem um minuto sequer em um dia cinzento.

Como disse, penso muito sobre os tais dos dias. Quando um deles chega, sem aviso prévio, a vontade é de deitar e fechar os olhos, dormir até que um dia melhor apareça. Engano grave. Percebi, experiente que sou nos meus cinquenta tons de cinza, que fechar os olhos para eles é o mesmo que tratar de uma dor forte e constante com analgésicos… ora, a dor some sim, mas a fonte do problema ainda está lá, mais viva do que nunca. Pronta para, na menor das brechas, consumir tudo novamente. Como lidar? É uma boa pergunta. É uma pergunta importante. A solução pode até soar meio louca ou até mesmo idiota mas é o que funciona pra mim. Quando um dia cinzento aparece, eu dou o máximo de mim para pintá-lo de branco. Tem que ser branco. Sei por experiência própria que tentar adicionar qualquer outra cor, por mais linda que seja, em um tom de cinza tão potente, não vai funcionar: o cinza continuará cinza; é como misturar qualquer cor com preto. Quando consigo pintar toda a minha tela de paz, digo, de branco, ela está prontinha para que eu então apareça com as cores que eu quiser. O problema outro! é que o branco da  minha paz parece estar sempre em falta num dia cinzento. É preciso extrair sua pureza de algum lugar. Consigo as vezes com livros positivos, com música, com orações. Insisto. Por vezes também consigo vendo um filme bonito ou passando tempo com alguém querido. Mas o único momento, com certeza, do qual sei que transborda branco mesmo, é quando dedico algum tempo para conversar comigo mesma. É difícil começar, confesso nem sempre me dar uma chance. Paro, me acalmo, me acalento, me acarinho. Lembro a mim mesma de tudo que há de bom nesta vida, de todas as pessoas e presentes maravilhosos. Me permito pensar nos sucessos e momentos bons do passado e tento projetar cópias deles pro futuro. Recordo do plano perpétuo de me tornar alguém melhor, no que isso pode significar para a vida dos que amo. Me faço alguns elogios suaves e muito sinceros. É como se dissesse a mim mesma: calma, meu bem, o mundo colorido ainda existe, só estamos usando as lentes erradas.